segunda-feira, 28 de maio de 2012


DICAS PARA RELACIONAR-SE COM DEFICIENTES VISUAIS

Muitas pessoas não deficientes ficam confusas quando encontram uma pessoa com deficiência. Isso é natural. Todos nós podemos nos sentir desconfortáveis diante do "diferente". Esse desconforto diminui e pode até mesmo desaparecer quando existem muitas  oportunidades de convivência entre pessoas deficientes e não deficientes.
Define-se, abaixo, em linhas gerais, um modo de tratamento "adequado" às interações entre deficientes visuais e sociedade. Mas não tenha receio de fazer ou dizer alguma coisa errada. Aja com  naturalidade e tudo vai dar certo.

ü  A cegueira é uma deficiência sensorial, não é uma doença. Você já viu alguém “pegar” surdez?
ü  Não trate as pessoas cegas como seres diferentes somente porque não podem ver. Saiba que elas estão sempre interessadas no que você gosta de ver, de ler, de ouvir e falar e, principalmente, no que está ocorrendo ao seu redor: descreva as cenas relevantes com o maior número de detalhes.
ü  Não generalize aspectos positivos ou negativos de uma pessoa cega que você conheça, estendendo-os a outros cegos. Não se esqueça de que a natureza dotou a todos os seres de diferenças individuais mais ou menos acentuadas e de que os preconceitos se originam na generalização de qualidades, positivas ou negativas, consideradas particularmente.
ü  Não se dirija ao deficiente visual como "cego" ou "ceguinho e não fale com a pessoa cega como se fosse surda; o fato de não ver não significa que não ouça bem.
ü  O deficiente visual quer ser tratado com igualdade; não existe sexto - sentido ou compensação da natureza. O que existe é o desenvolvimento de recursos latentes e uso dos outros sentidos.
ü  Se encontrar algum deficiente visual que precise de ajuda, identifique-se, faça-o perceber que você está falando com ele (toque de leve seu braço ou mãos) e ofereça auxílio. Nunca empurre ou puxe um deficiente visual, já que o contato sem que esteja esperando pode provocar acidente como quedas, por exemplo.
ü   Caso sua ajuda como guia seja aceita, coloque a mão da pessoa no seu cotovelo dobrado. Ela irá acompanhar o movimento do seu corpo enquanto você vai andando. Recomenda-se que o guia fique meio passo a frente, evitando os obstáculos. À medida que se encontrarem degraus, meios-fios, postes, floreiras, lixeiras e outros obstáculos, deve-se informar  antecipadamente ao deficiente visual.    Em passagem estreita, colocar o braço para trás, de modo que ele perceba seu movimento e possa segui-lo.
ü  Para ajudar uma pessoa cega a sentar-se, você deve guiá-la até a cadeira  e colocar a mão dela sobre o encosto da mesma, informando se esta tem  braço ou não. Deixe que a pessoa sente-se sozinha, sem empurrá-la.
ü  Em uma escada, coloque a mão dele sobre o corrimão, se houver. Caso contrário, dê o braço a ele ou algumas dicas a respeito da estrutura da escada.
ü  Não empurre ou levante a pessoa com deficiência visual para entrar no ônibus. Coloque sua mão sobre  a alça externa vertical e ela subirá sozinha. Dentro do ônibus, ela pode preferir ficar de pé.
ü  Ao explicar direções para uma pessoa cega, seja o mais claro e específico possível, de preferência, indique as distâncias e posições: a sua esquerda, daqui mais ou menos 3 passos, uns 5 metros a sua frente... E, lembre-se: tome como ponto de referência o próprio deficiente visual, evitando confusões de lateralidade.
ü  Fique a vontade para usar palavras como "veja" e "olhe". As pessoas cegas as usam com naturalidade. O “enxergar” do deficiente visual é feito com outros sentidos, inclusive criando imagens mentais do que lhe está sendo descrito.
ü  Não deixe de se anunciar ao entrar no recinto onde haja pessoas cegas, isso auxilia a sua identificação.
ü  Quando for embora, avise sempre o deficiente visual, evitando que continue conversando sem a presença do interlocutor.
ü  Não deixe de apertar a mão de uma pessoa cega ao encontrá-la ou ao despedir-se dela. O aperto de mão substitui para ela o sorriso amável.
ü  Não se dirija à pessoa cega através de seu guia ou companheiro, admitindo assim que ela não tenha condição de compreendê-lo e de expressar-se.
ü  Não deixe portas e janelas entreabertas onde haja alguma pessoa cega. Conserve-as sempre fechadas ou bem encostadas à parede. Quando abertas, as portas e janelas meio abertas constituem obstáculos muito perigosos para ela. Recomenda-se manter sempre o espaço livre para que os deficientes visuais circulem com segurança.
ü  Não desperdice seu tempo nem o da pessoa cega perguntando-lhe: ""sabe quem sou eu? " Veja se adivinha quem está  aqui "... "Não vá dizer que você não me conhece! " Só o faça se tiver realmente muita intimidade com ela. Se houver muito barulho em volta, o melhor é logo  ir dizendo: "é fulano, bom dia! "...
ü  Ambientes com muitos ruídos e sons diferentes não são os preferidos por deficientes visuais, pois a mistura de sons, principalmente com volume alto, provocam um desconforto, dificuldade de localização espacial e comunicação verbal.
ü  Os estudantes com deficiência visual não têm a mesma possibilidade que os seus colegas em tirar apontamentos das aulas. Recorrem a utilização de outros recursos e ferramentas que ofereçam-lhe a oportunidade de participação, como gravação das aulas, materiais ampliados, código Braille, lupas, recursos de informática, entre outros.
ü  Utilize sempre materiais diversos, como sucata, plástico, papel, isopor,, pinos, texturas,  etc., para apresentar os conceitos. Na ausência da visão, todas as informações precisam do tato para serem interpretadas.
ü  Caso o material não esteja disponível no formato adequado, o docente deverá fornecer elementos referentes ao conteúdo que irá ser trabalhado.
ü  Nas aulas deverão ser evitados termos como "isto" ou "aquilo", uma vez que não têm significado para um estudante que não vê.
ü  Quando utilizar o quadro ou qualquer recurso visual, o docente deverá ler o que está escrito  para que, o estudante, tenha noção do que está sendo apresentado.
ü  Quando recorrer a quadros, figuras ou slides deverá descrever o seu conteúdo. Alguns estudantes que não nasceram cegos, que ainda conservam  algum resíduo visual, têm uma memória fotográfica de objetos, figuras, etc.
ü  Atividades realizadas oralmente nem sempre atingem o resultado proposto. Lembre-se que o deficiente visual utiliza o Sistema Braille para o acesso ao conhecimento (leitura e escrita) e, por isso, não deve ser considerado analfabeto.
ü  Elabore sua aula de forma que todos possam participar das atividades, inclusive o aluno com deficiência visual: isso é "INCLUSÃO".


OBS: Deficiência visual refere-se a uma diminuição da resposta visual que vai desde a cegueira (Sistema Braille, relevos e texturas) e baixa visão (lupas, letras ampliadas e materiais com cores em contraste).


ORIENTAÇÃO/MOBILIDADE: Dicas para Guia Vidente.

A orientação e a mobilidade estão presentes na vida de todos. Orientação é a capacidade de perceber o ambiente e saber onde estamos. a mobilidade é a capacidade de nos movimentar, ou seja, posição presente (atual) do indivíduo para a posição desejada que se pretende atingir.  Como a visão é o sentido que mais contribui para a orientação e a mobilidade, temos que, para a pessoa com deficiência visual, é o aprendizado do uso dos outros sentidos (audição, tato, sinestesia, olfato ou visão residual) para obter informações do ambiente, tais como saber onde está, para onde quer ir e como fazer para se chegar no local desejado.

Para se movimentar, a pessoa com deficiência visual pode utilizar a ajuda de um guia vidente, a auto proteção em seu próprio corpo, uma bengala longa, um cão-guia ou outras tecnologias. Trataremos aqui dos dois primeiros tópicos.

1. Guia Vidente: deve possibilitar o controle, a interpretação  e a participação da pessoa que está sendo guiada nas decisões do que ocorre durante o deslocamento, de forma segura e eficiente.

- Dependendo da estatura, a pessoa com deficiência visual deve segurar no cotovelo, punhos ou ombros de seu guia vidente e posicionar-se meio passo atrás dele. Assim poderá interpretar as pistas de forma mais precisa, como: quando começa a caminhar; quando para; quando se vira para a direita ou esquerda; desvia de obstáculos ou pessoas; sobe ou desce degraus.

- Para a troca de lado, é preciso antes haver uma pista verbal fornecida pela pessoa com deficiência visual ou seu guia vidente. A pessoa com deficiência visual segura o braço de seu guia com a mão livre. Posiciona-se alinhadamente atrás dele e soltando a primeira mão rastreia as costas do guia até apooiar-se no outro braço. Faz a troca de lado retomando a posição básica.

- Em passagens estreitas a pessoa com deficiência visual deve interpretar a pista verbal ou sinestésica fornecida pelo guia. A principal pista sinestésica é posicionar o braço dobrado em 90° para trás. Imediatamente a pessoa que está sendo guiada  deve estender seu braço, posicionando-se atrás do guia, formando coluna em fila com ele. Ao final da passagem retorna-se a posição básica. Dependendo da situação a pessoa deve ficar ao lado do guia e andar lateralmente.

- Ao subir ou descer escadas deve-se manter na posição básica, assim a pessoa com deficiência visual ficará sempre um degrau atrás do guia. ao iniciar a subida ou descida deve-se haver uma pequena pausa pelo guia em frente ao primeiro degrau. A pessoa com deficiência visual encontrará o degrau após fazer um pequeno deslize com os pés. A pessoa com deficiência visual deve ter preferência no uso dos corrimãos. pode-se também utilizar o apoio nos ombros de seu guia vidente quando este fizer uso de corrimão. Seu braço servirá de barreira e deverá ficar estendido horizontalmente a frente da pessoa a ser guiada.

- Em passagem por portas deve-se utilizar a técnica de passagem estreita. O Guia puxa ou empurra a porta enquanto a pessoa com deficiência visual eleva o braço livre com a palma da mão para frente. Ela mesma toca a porta, localiza o trinco e fecha a mesma. após a passagem, retoma-se a posição básica.

- Ao sentar-se o guia vidente conduz a pessoa com deficiência visual até uma cadeira. Possibilita que ele toque a cadeira com as pernas ou conduz sua mão até o encosto da mesma ou braços, se tiver. a pessoa com deficiência visual solta sua mão do guia tão logo faça contato com a cadeira e sente-se de forma segura. antes de sentar deve-se investigar com as mãos, certificando-se do acento e condições de uso.

- Em auditórios ou acentos em fila deve-se usar a técnica de passagem estreita, na qual o deficiente visual alinha-se ao guia em fileira e caminha de lado. A mão livre deve ser usada para rastrear o encosto das cadeiras, ou seja, parte de trás das cadeiras que está na sua frente. Para sentar-se, o guia fornece uma pista verbal e a pessoa com deficiência visual usa a parte de trás da perna para o contato com o acento, além de uma breve pesquisa com as mãos e senta-se. Na saída, os mesmos procedimentos são utilizados, sempre com o guia na frente. 

2.  a auto proteção funciona como um controle da pessoa cega sobre seu próprio corpo e movimentos e pode ser utilizada em conjunto com outras habilidades: guia vidente, bengala ou cão-guia. São técnicas utilizadas pela pessoa com deficiência visual que usa seu próprio corpo como recurso de proteção e segurança.

- Para a proteção da parte frontal e inferior  do tronco na altura da cintura a pessoa com deficiência visual deve posicionar o braço a frente do corpo, com o dorço da mão voltado para frente e na linha média do corpo. As mãos devem ficar distantes de sio suficiente para antecipar a ponta dos pés durante a marcha.

- Para a proteção superior e detecção de obstáculos ao nível do tórax e do rosto deve-se flexionar o braço ao nível do ombro, mantendo-o paralelo ao chão. Flexiona o cotovelo mantendo o dorso da mão voltado para frente. As pontas dos dedos e a mão dão proteção ao ombro oposto. O antebraço dá proteção ao rosto e tórax. As mãos devem ficar distantes do corpo o suficiente para antecipar a ponta a dos pés durante a marcha.

- O rastreamento permite um contato constante com objetos do meio para localizá-los. É  feito com o dorço das mãos, apenas com o dedo mínimo e anelar, mantendo-os  relaxados e flexionados. Novamente, a mão deve estar distanciada de forma a se antecipar a ponta dos pés durante a marcha.

- Para a localização de objetos caidos deve-se partir de pistas sonoras sobre o local da queda. Tentar posicionar-se de frente a direção do som e abaixa no mesmo tempo em que assume a posição de proteção superior. Inicia a procura com movimentos circulares (abertura de leque), verticais e horizontais (grade) sempre com a ponta e dorço  dos dedos.

- Para procurar objetos sobre mesa, deve-se estar de frente a ela, em pé ou sentado. Movimenta-se as duas mãos com o dorço para frente até encontrar a borda do móvel. A partir do ponto médio do corpo, aplica-se os movimentos de leque ou grade com o dorço dos dedos.



Texto: Luciane Maria Molina Barbosa
Espaço Braille

sexta-feira, 25 de maio de 2012

sábado, 22 de agosto de 2009

"A finalidade da intervenção pedagógica é contribuir para que o aluno desenvolva as capacidades de realizar aprendizagens significativas por si mesmo e que aprenda a aprender."
Brito 2003 p,20